quinta-feira, 4 de junho de 2009

Era uma vez...

Foi uma noite um tanto quanto anormal.
Não o anormal ao qual estava acostumada. - Ela corrigiu-me em pensamentos.
O que é um autor para um leitor que fala através de seu personagem? A personagem brinca e desbrinca, faz e desfaz. E no seu mundo, ela pode ser! Será e ponto! Como uma vez eu disse que iria me parafrasear, sim, o faço.
Ela, no seu mundo perfeito, sonhava. Sem datas, sem fatos. Ela sonhava por sonhar. Era respirar, ouvir seu coração bater e sonhar. Um dia, ela desejou nunca mais sonhar. E continuou sonhando, mesmo assim. Algumas vezes tinha pesadelos, daquele tipo que se repetia, noite após noite. E era agradável. Antes acordar com medo do que acordar querendo nunca mais acordar.
Tinha acordado uma esperança que jurara nunca mais acordar, tal que não queria morrer de forma alguma. A esperança dizia:
"Você diz que eu tenho que ir, mas eu devo permanecer"
"Você só me faz sofrer!" - chorava ela para a infeliz esperança.
E não é que a infeliz ficava ali?
Doía cada segundo que a intrometida aparecia. Fatos eram fatos, aconteciam, deviam ser deixados ao vento até para outra dimensão ir. Ser esquecida ou passar para outra pessoa, como uma doença, como uma gripe suína.
"Vá embora! Você só me faz sofrer!" - Ela gritava, chorava, mas não adiantava. Ela continuava.

Inspirou a autora a criar um final feliz.

Um belo dia em que tudo deveria ser triste, a esperança subiu nas costas na garota, e não quiz sair.
"Ainda vai me fazer chegar atrasada a aula, maldita?" - resmungava pelo caminho. "Caminhas sozinha, não te quero aqui."
Era um dia feio já, e só haviam 5 minutos de nascimento para ela e a esperança.
Mas os sinais eram tantos, e tão mais tristes, que ela parou de se importar com aquilo que carregava no seu âmago. Aquilo que era a personificação da tortuosidade, talvez divina, mas provavelmente humana.
"Eu estarei aqui, porque existe razão para eu estar aqui."
A garota passara chorando mais de 240 horas a fio pelo esperança que não a largava. Era esperança, desilusão. E tudo ao seu redor ruía. A garota queria aquilo que seu tudo mais queria, e não podia ter. Ela se revelou para si uma completa tonta mimada. Queria ser feliz daquele jeito. E para se conformar, toda esperança tinha que ir.
Ela pediu para A pessoa certa fazê-la ir embora. Não queria mais sentir o que sentia. Já sentiu aquilo por muito tempo. Ela pedia, e nada do pedido ser atendido. Pelo menos em público já não derramava uma lágrima sequer. Mas não era o suficiente se em casa entrava em crise. Suas quatro paredes se tornaram suas melhores amigas.
Para saber se um obsessivo-compulsivo não está bem, olhe seus pertences. Se você conseguisse achar os pertences dela, já seria muito. Seu espaço refletia diretamente sua vida. O lixo cheio e o quarto num estágio avançado de entropia.
Dia após dia, mingüava. Os sinais eram sempre tormentosos. Olhava para um lado, uma lembrança, olhava pra o outro, um sonho. No espelho, a esperança tomara sua face. Ah, maldita, porquê não largava do pé da pobre menina?
A infeliz nesse dia se superou. Gritou no ouvido da menina o dia todo:
"EU ESTOU AQUI!"
Deixando-a é claro, com dor de cabeça.
No final do dia, tudo chegou a um consenso. A menina não aguentava mais aquilo, estava prestes a ceder as loucuras, quando ouviu:
"Pedido atendido!"
E uma surpresa entrou pela porta da frente.
Mas aquela supresa estava incompleta, óbvio, porque a menina no meio do caos, queria fugir, e se escondeu um pouco da surpresa. A esperança não satisfeita, trouxe a surpresa para perto da menina e disse:
"Sua autora tem um presente para você. Ela realizará o que você e ela mais querem, mas só você poderá viver. Cuide com carinho."
A surpresa se tornou completa. Mas foi tão grande que ela não acreditava. Achava que pregavam uma peça nela. Era o clichê mais perfeito, que ela só podia ter sonhado, tanto eu, caro leitor, quando ela.
Mas o clichê ficou na sua memória e vida para sempre. A esperança, inconveniente, riu, tirou sarro da menina. Deixou os sonhos assumirem seu lugar novamente. Agora ela estava permitida a sonhar. Ela agora fazia parte do seu próprio pedido. Foram mais de 260 horas chorando e sofrendo. Querendo aquilo que não podia ter, e agora, estava em suas mãos o que a mais deixava feliz. O dia mais feio do ano se tornara então, o mais belo. Foi o primeiro do último, o primeiro de vários.
Essa é a maneira que eu encontrei, leitor, de fazer minha esperança parar de me perturbar. Se é para pertencer a alguém, que essa alguém seja feliz. Nem que esse alguém não exista.
Aliás, eles foram felizes para sempre. (:
C'est Fine! "

Boa noite.

Citando Edgar Allan Poe, senão não fico em paz:
"Minhas paixões eu não podia
tirar de fonte igual à deles;
e era outra a origem da tristeza,
e era outro o canto, que acordava
o coração para a alegria.
Tudo o que amei, amei sozinho."

("Só" - Edgar Allan Poe)

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